Willie Williams fala sobre o palco da turnê e seus desafios
Willie Williams fala sobre o palco da turnê e seus desafios
Willie Williams fala sobre o palco da turnê e seus desafios
27 de janeiro de 2017
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Rômulo
Editor-chefe do U2 Brasil

O veterano desenhista de palcos do U2 nos fala sobre a The Joshua Tree Tour 2017. Willie Williams, a pessoa responsável por cada show do U2 nos últimos 35 anos, nos apresenta o grande planejamento para reviver ao vivo o clássico de 1987. Se o U2 nunca tivesse entrado em contato com Willie Williams, sua carreira havia desenrolada de uma maneira bastante diferente. O diretor criou todos os palcos durante os últimos 35 anos, indo desde a turnê de outubro de 1982, quando a banda ainda estava tocando em clubes.

A medida que a popularidade do U2 aumentava exponencialmente, assim também crescia o orçamento de Williams e sua grande visão para seus concertos. Ele é responsável pela incrível multimídia da Zoo TV Tour (1992-93), que ainda segue parecendo inovadora um quarto de século mais tarde. Conseguiu crescer ainda com a PopMart (1997-98), voltando a subir outro degrau durante a Elevation Tour (2001) e a Vertigo Tour (2005-06), antes de conseguir criar o maior palco da história do rock para a turnê 360° em 2009. Em 2015, a Innocence + Experience Tour trouxe uma enorme jaula de vídeo que dividia o recinto pela metade, com uma produção jamais vista em arenas, e neste momento ele está se aprofundando na organização da The Joshua Tree Tour 2017, que chegará aos estádios da América do Norte e Europa em Maio. Falamos com ele sobre o que podemos esperar com este grande espetáculo de massa.

Quando você ouviu pela primeira vez sobre esta turnê?

Quando estávamos imersos nos ensaios para o iHeart Radio e Dreamforce ano passado houve uma conversa sobre isso, mas inicialmente era só uma ideia para comemorar o aniversário e fazer um ou dois shows. A ideia era talvez um nos Estados Unidos e outro na Europa. Essa foi a primeira vez que chegou aos meus ouvidos. Fiquei bastante satisfeito por chegar a ser uma própria turnê.

Isso foi há alguns meses.

Estávamos ensaiando em Setembro.

Você normalmente não sabe de uma turnê em estádios com um ano de antecedência ou mais? Isso é uma grande tarefa.

Você tem razão. O interessante é que quando tivemos a primeira reunião formal sobre isto, todo mundo estava muito entusiasmado com a ideia. Não foi algo que surpreendesse. Quando nos encontramos realmente no início do clico da turnê, é realmente fantástico porque você pode falar de qualquer coisa. Não há absolutamente nenhum tipo de limite e você pode abordar tudo que quiser. Então você cai na realidade que tem que fazer com que tudo se encaixe e flua. É mais até no final do processo quando você se dá conta de o quão boas são as ideias e ganha um pouco mais de tração e as pessoas começam a ficar entusiasmadas. Suponho que isto é porque esta é uma ideia muito clara, é uma ideia com a qual iniciamos o processo. Normalmente uma grande parte do processo de colocar para rodar um show é averiguar qual é a ideia principal, e assim poder ir diretamente ao ponto.

Além disso, estamos conscientes de que o álbum dura somente uma hora e o show necessita ter mais tempo, assim como você se encaixa no show? Como você consegue fazê-lo funcionar? Você toca-o continuamente? Mescla-o com outras canções? Todas estas questões ainda estão sendo discutidas, para ser realmente honesto. Mas a ideia principal estava ali desde o princípio. Isso foi muito, muito útil. O que eu não esperava era a emoção de saber que está envolvido em algo muito grande que estava ali desde o primeiro dia, já que normalmente há um período de vagar pelo deserto quando está decidindo como vai se desenrolar o espetáculo e está tratando de descobrir o que estamos tentando fazer. Sim, então todo mundo está muito ansioso. Precisa de muita pouca imaginação para converter isto em algo que pode ser muito grande.

Como a ideia de fazer um ou dois shows se converteu em uma turnê mundial?

Não sei. Não quero mentir. A maioria do que eu sei sobre esse processo é o que eu li esta semana.

Retornando aos estádios. O palco será semelhante ao da turnê da Joshua Tree de 1987 ou será totalmente diferente?

[Risos] Bom, sim e não. Nós olhamos para o cenário original, que é bem minimalista. Nós costumávamos chamá-lo de minimalismo máximo. Certamente para a Europa, não havia absolutamente nenhum reforço para telões de vídeos nos estádios. Em alguns dos maiores estádios dos Estados Unidos começamos a montar telões, mas apenas por trás das mesas de controle, de modo que apenas a metade de trás do estádio podia ver as imagens das câmeras. Foi incrível como a música, apenas a música, encheu os estádios. Agora, é claro, as expectativas da produção são estratosfericamente mais altas do que eram 30 anos atrás. Mas se olharmos para o cenário original era realmente precioso. Eu estava bastante atraído pela ideia de só me concentrar no cenário tradicional e original, que era basicamente uma caixa com alto-falantes de ambos os lados e dizendo: “O que podemos fazer com isto? Esta é ideia mais desatualizada imaginável para turnês, mas através dos olhos do U2 podemos fazer algo interessante com ela?”

A verdade sobre a questão é que as linhas de visão não funcionam mais. Quando você simula um cenário em um estádio, as linhas de visão só cobrem 150-160 graus e não cobrem todo o redor. Você tem que ter alguém parado ao lado do palco para que se possa ver tudo, então vamos deixar isso para trás. Tomamos o espírito dessa classe de ideia minimalista na CinemaScope onde a visão era uma imagem enorme e esticada da árvore de Joshua de uma ponta a outra do palco, que conseguimos deformar até o máximo permitido naquela época, e nós tomamos aquele espírito e seguimos adiante. Mas, sim, haverá imagens projetadas.

Será um palco tradicional, então. Não chegará a ser tão incomum como o da 360º Tour na última turnê de estádios.

O que é ótimo para mim, pessoalmente, é que isso veio como uma oportunidade de dar sequência em um show de estádios após a U2 360°, porque aquele era realmente o show em estádios para acabar com todos os shows em estádios. Será pouco provável que possamos ver algo como isso algum dia. E então o que você faz depois disso? Como pode voltar aos estádios com algo que não é aquilo? Considerando que a Joshua Tree pode estar em uma extremidade do estádio. Pode ser um aceno ao que era 30 anos trás e o espírito dessa época pode estar ali, então é perfeitamente legítimo. Você não tem que explicar por que voltou a uma extremidade do estádio, é apenas óbvio. Então, para mim, pessoalmente é ótimo, porque a próxima vez que tocarmos em estádios podemos fazer o que gostamos. Funcionou muito bem.

Estou olhando para um mapa de assentos agora. O palco ‘B’ é na forma de uma árvore?

Ah, isso é um mapa de assentos disponível comercialmente?

Sim, está na Ticketmaster.

[Risos] Ah, certo, meu Deus. Sim, se está na Ticketmaster, não me importo em contar. Mas ainda estamos trabalhando nisso, mas a sombra da árvore estará na pista.

Você acha que o conteúdo de vídeo será um arquivo de imagens da banda nas gravações no deserto (Death Valley)?

Tenho certeza que sim, mas não há muito conteúdo. O que existe, temos usado para acabar definitivamente até o final, basicamente. E novamente, como disse antes, sem dúvida vamos tomar o espírito das imagens e a estética. Não vamos inventar uma nova estética para esse álbum e essa época. São basicamente filmes em 8mm que Anton [Corbijn] gravou em vídeo quando estava fazendo a sessão do álbum. E nós usamos até acabá-lo [risos]. Usamos isso até nos shows da Zoo TV. Mas o espírito disso, sem dúvidas estará ao redor, mas como disseram os garotos da banda, o objetivo disso não é recriar a turnê da Joshua Tree. Não se trata de nostalgia. É apenas olhar novamente na direção do disco agora já que se tornou assustadoramente pertinente na atualidade, dado que se gravou na era Thatcher / Reagan. Como dito por Bono e Adam, parece que o mundo deu uma volta completa de maneira estranha.

Eu falei com The Edge há algumas semanas e ele me disse que não tinha certeza se deviam começar com “Streets” e continuar com os temas do disco, ou introduzi-la mais tarde no show. Como você acha que funcionaria melhor?

Sim, mas não vou te dizer nada [risos]. Não posso, na verdade, mas tudo será revelado na noite de abertura. Obviamente, The Joshua Tree dura aproximadamente uma hora e o show necessita ao menos ter o dobro da duração. Parte da razão pela qual não posso te dizer nada é que não saberemos até ouvirmos eles tocarem. Acredito que temos uma grande estratégia, uma forma realmente sólida de fazê-lo sem que seja um show nostálgico de álbuns clássicos, mas não saberemos até que os escutemos tocarem.

Você já viu Springsteen tocar “The River” ou Roger Waters com “The Wall”? Você já esteve em algum destes concertos de outros álbuns?

Vi Roger Waters tocar “The Wall”. Ele teve a sorte de fazer um álbum de duas horas, então ele não poderia fazer mais nada além disso.

A última turnê foi em arenas. Quais os desafios presentes nos estádios que não têm nas arenas?

Os elementos, obviamente. De uma forma engraçada, os estádios são mais consistentes. Com as arenas, quando você está dentro de um edifício menor como esse, em um dia as coisas podem mudar de maneiras diferentes. As coisas seguem sendo coerentes nos estádios, mas à luz do dia, o clima e essas coisas não estão ao seu lado. Além disso, as coisas precisam ser muito maiores. Fiquei emocionando com a Innocence + Experience, porque finalmente pudemos brincar com a transformação ou fusão de seres humanos com o conteúdo de vídeo. Você só pode fazer isso se a escala do ser humano tem sentido para o olho humano, e não éramos capazes de fazer isso há muito tempo. Obviamente, que não se pode fazer em um estádio, porque a pessoa na fila de trás não tem nenhum impacto na escala humana. Tem que ser muito maior e mais amplo, mas isso é sempre divertido. O que sempre foi genial com o U2 é que a cada turnê tem tido uma mudança no palco. Quase sempre, se sairmos ao ar livre, voltaremos para dentro, ou vice-versa, ou um enfoque totalmente diferente. Isso os mantém interessante. Realmente estou adorando estar em estádios novamente. A simplicidade é provavelmente a palavra equivocada, porque segue sendo uma grande produção, mas acho que enxugaremos o que fizemos depois da última turnê. O que é engraçado é que a Innocence + Experience parecia uma coisa simples, mas foi um dos espetáculos mais complicados que o U2 já fez. Esta será mais simples, com coisas maiores e deixando que a música encha o estádio.

Depois da turnê 360°, você se preocupa que não possa superá-la?

Não me preocupo porque depois da Zoo TV as pessoas diziam: “Como vai conseguir superar isso?” Minha piada foi: “A próxima será maior”, que é claro acabou sendo [com PopMart]. Nunca me preocupo com isso. Porque com o U2, eles são absolutamente conscientes, assim como eu, que se saem com o mesmo telão na próxima turnê, então não terá mais nada para utilizar com ele, uma vez que muito acontece numa produção do U2. Como disse antes, é maravilhoso voltar aos estádios com algo tão diferente como a 360°. Simplesmente segue muito natural e muito temático já que o U2 nunca foi uma banda de olhar para trás. É irônico, mas se há algumas críticas dizendo que isto é nostalgia é provavelmente as mesmas pessoas que assistem a um show e insistem em reclamar que o U2 está tocando seus novos temas. Você está absolutamente condenado se fizer isso, e condenado se não o fizer. Assim, que muitas críticas são de pessoas dizendo, “Tem que tocar tanto assim do disco novo?”. Certamente não são pessoas que olhem para trás, mas com Songs of Innocence tratando desde o início da banda e aquela época e lugar... é tão apropriado olhar para esse período da banda, a era The Joshua Tree e seguir com Songs of Experience e o que faremos com ele quando voltarmos. Parece que é uma progressão muito natural.

Você acha que a próxima etapa da da Innocence + Experience Tour terá a mesma base de cenário como a última, ou pode mudar um pouco?

Este sempre foi o plano, claro. Mas inicialmente nós iríamos seguir com isso depois de alguns meses, onde agora se realizará dois anos mais tarde. Há todos os tipos de razões convincentes para manter o mesmo palco, já que eu sinto que só arranhamos um pouco a superfície do que poderíamos fazer com isso. Mas já se passaram dois anos e o mundo agora é um lugar completamente diferente. Mas nós vamos atravessar essa ponte quando chegarmos a ela.

Fonte: Rolling Stone

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