U2 usa sua turnê para pedir a desqualificação de arquivos sobre os atentados na Irlanda
U2 usa sua turnê para pedir a desqualificação de arquivos sobre os atentados na Irlanda
U2 usa sua turnê para pedir a desqualificação de arquivos sobre os atentados na Irlanda
07 de junho de 2015
Vicky
Editora do U2 Brasil

O U2 aderiu à campanha pedindo ao governo britânico para liberar os arquivos sobre os atentados de 1974. Uma parte importante do show é usada com a intenção de auxiliar no pedido para que o governo britânico libere os arquivos sobre os atentados ocorridos em 1974 nas cidades de Dublin e Monaghan pela Força Voluntária do Ulster (UVF).

A banda toca uma versão minimalista de "Sunday Bloody Sunday" próximo a parte final da primeira metade de sua apresentação. Os quatro membros da banda marcham para meio da passarela iluminada com as cores da bandeira irlandesa. Atrás deles, o telão mostra fotos de vítimas dos atentados em Dublin e Monaghan intercaladas com trechos dos noticiários sobre os atentados. Eles então passam a tocar "Raised by Wolves", canção sobre os acontecimentos  de 17 de maio de 1974 quando quatro carros-bomba, de maneira coordenada, três em Dublin e um em Monaghan, mataram 33 pessoas, além de um bebê ainda não nascido (uma das vítimas estava grávida) e feriu quase 300 pessoas. O ataque foi um dos mais mortíferos do período que ficou conhecido como "The Troubles".

Embora o UVF tenha assumido a responsabilidade em 1993, ninguém jamais foi indiciado pelos atentados e muitas alegações foram feitas com o passar dos anos, alguns antigos membros das forças de segurança afirmaram que o Estado Britânico ajudou a UVF a realizar os atentados.

Devido à pressão dos familiares, o falecido juiz da Suprema Corte Irlandesa Henry Barron realizou uma investigação. Em 2003, Barron descobriu que a polícia irlandesa não havia investigado corretamente os bombardeios e alegou que era altamente provável que membros das forças de segurança britânicos estivessem envolvidos nos fatos. Não há evidências suficientes para confirmar isso, porque o acesso ao inquérito foi prejudicado pela recusa do governo britânico para liberar documentos-chave. As famílias das vítimas têm feito campanha para a liberação dos mesmos desde então.

Todas as fotos mostradas pela banda têm permissão dos familiares para serem usadas.

Entenda um pouco mais os fatos:

The Troubles: ou "Os Problemas", foi como ficou conhecido na Irlanda do Norte o período entre 1968 e 1998. Ele marca mais intensamente o conflito entre os protestantes, a maioria do país que pretendia manter o país unido ao Reino Unido, contra a minoria católica que desejava a independência do país e a sua unificação com a República da Irlanda. Durante este período, a escalada de violência afligiu ambos os lados. Calcula-se que o número de mortos ultrapasse 3.600 pessoas, além de mais de 50.000 feridos e incontáveis outros com danos psicológicos.

O U2 explorou o cenário desse período e acabou sendo criticado por isso – no seu último clipe: "Every Breaking Wave", no curta-metragem feito pela banda e ambientado durante o período, em um relacionamento a la Romeu e Julieta, um jovem católico se apaixona por uma jovem protestante.

As organizações paramilitares: durante os anos de conflitos, diversos grupos paramilitares surgiram, apesar da versão limitada de que os que estavam do lado protestante eram legalistas (ou seja, defendiam a permanência da Irlanda no Reino Unido) e os católicos eram republicanos, não podemos limitar a nossa visão tanto ao "pão-pão / queijo – queijo", afinal a questão era mais política do que religiosa.

Os Republicanos eram representados pelo mais conhecido grupamento: o IRA (Irish Republican Army, ou o Exército Republicano Irlandês), as raízes do seu surgimento vêm do Levante de Páscoa ocorrido na Irlanda em 1916, e a Guerra de Independência do país. Devido a conflitos internos o grupo acabou se dividindo.

Os Provisionais, dissidentes do IRA, fundaram o IRA Provisório (PIRA) no início da década de 70, e posteriormente o Exército de Libertação Nacional Irlandês (INLA) em 1974. Tinham uma visão predominantemente marxista. A rivalidade entre os seus membros e o IRA nos anos seguintes se tornou sangrenta.

Legalistas, é aqui que a UVF (Força Voluntária do Uster) organização que assumiu os ataques que são citados durante o show do U2 se encaixa, sendo ela a mais antiga. Em resposta aos constantes conflitos com o IRA, entre os legalistas surgiu também a Associação de Defesa do Ulster (UFF).

Os atentados de Maio de 1974: eles não são apenas o cenário com as suas vítimas para "Sunday Bloody Sunday", mas também são o tema para "Raised by Wolves" de "Songs of Innocence".

Na tarde de 17 de maio de 1974, ou seja uma semana após Bono completar 14 anos. 3 carros bombas explodiram simultaneamente em Dublin, enquanto uma hora depois outro explodiu na cidade de Monaghan. Na data, Dublin entrou em estado de atenção imediatamente, muitos corpos foram deixados no chão por quase uma hora esperando que fossem recolhidos. Essas imagens são as que compõem "Raised by Wolves".

Na época foi atribuído ao protestantes a responsabilidade pelos ataques, depois atribuiu-se ao IRA. Porém em 1994, o UVF assumiu a responsabilidade pelos atentados mas isso não convenceu a todos. Desde 1996, os parentes das vítimas estão reunidos na organização "Justiça para os Esquecidos" (Justice For The Forgotten), eles acreditam que o UVF foi ajudado pela Inteligência Britânica e exigem que os documentos referentes aos atentados sejam divulgados.

Bono declarou que quase foi uma das vítimas das explosões. Ele fazia um caminho para voltar da escola, e seguia um ritual de ir a lojas de discos na cidade todas as sextas-feiras. Aquele dia mudou a sua rotina, escolheu a bicicleta para ir à escola, acabou se salvando.

Fonte: Irish Central

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