Ric Lipson na “Innocence + Experience”: Parte 2
Ric Lipson na “Innocence + Experience”: Parte 2
Ric Lipson na “Innocence + Experience”: Parte 2
22 de julho de 2015
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Marina
Newsposter e colunista do U2 Brasil

O co-desenhista do cenário da Innocence + Experience do U2 com Es Devlin, Ric Lipson, da Stufish Entertainment Architects, diz que houve muitas ideias ao longo dos dois anos do processo de design que acabaram sendas cortadas em seus aspectos físicos, mas a maioria das ideias iniciais se mantiveram firmes em algum formato, os temas iniciais pelo menos, traduzindo-se dentro do conteúdo de vídeo.

"Por exemplo, em um ponto nós fizemos um protótipo de um quarto que voa com projeção interna que deveria voar ao redor da arena com os membros da banda projetados dentro", diz Lipson. "Seriam quatro destes. Essa idéia foi deixada depois que nós testamos em escala 1:1 e ela encontrou sua referência no show, quando você vê o vídeo de "Song for Someone", onde Bono canta para si mesmo mais jovem e é visto no ambiente de seu quarto e na sala. Outra ideia era uma grande lâmpada que deveria pairar sobre o palco redondo, na extremidade daquela área, e que iria explodir em um ponto do show para revelar o lixo e os móveis de 1970. Esta foi substituída pela ideia do tsunami no final da música "Until the End of the World", que vê a inocência de Cedarwood Road arrastada por uma tsunami de água que explode a partir de uma ampola de vídeo".

Lipson diz que o show começa com a noção de inocência em uma única lâmpada. Como a história se desenvolveu durante a fase de design, ele conta que a forma do palco era para facilitar a narrativa: o tema de ir de casa para o mundo e então voltar novamente, "a jornada da Inocência para a Experiência", diz Lipson. "O cenário deste show significa que nós tivemos que reinventar a forma como o som foi feito para shows em arenas. O tamanho da tela e outros elementos essenciais, tais como fachos de luz, juntamente com a enorme estrutura da tela e a quantidade de cabo para fazer tudo funcionar, significa que este é um dos mais pesados shows para arenas. O show não é menor do que qualquer outro show de arena do U2. Comparado aos shows de estádio que Stufish projetou ao longo dos últimos 23 anos com Mark Fisher e Willie Williams, este não é tão grande como a 360, mas ainda é grande e muito complexo para fazer todos os elementos trabalharem tão bem juntos”.

Partes móveis

Acima do palco principal estão flutuando cineticamente luzes fluorescentes de LED em manivelas, que transmitem energia e dados através de linhas e  são controlados através do "Navigator". "O palco retangular por si mesmo é bastante simples", diz Lipson. "O palco redondo tem um elevador inteligente que traz o piano para o palco. Este novo design armazena o piano sob o palco, que se desdobra em 90 graus como um livro para fazê-lo se desdobrar de volta, em vez de apenas subir da forma tradicional. A peça principal de automação é a tela [PRG Nocturne V-Thru]. A tela voa em quatro apoios para seis toneladas, ligados a quatro treliças no ar. As manivelas permitem que a tela se mova para cima e para baixo, por 7 metros em 30 segundos. Estes são todos controlados pelo "Navigator". No fim da tela, há uma escada ligada ao final do palco quadrado que permite ao Bono subir as escadas para a passarela e na extremidade da tela há um elevador personalizado que permite ao Bono descer para o palco. Sob a tela, há quatro bolas de espelho automatizadas, que são capazes de subir e descer enquanto giram. Há também oito fachos de luzes cinéticas, todas controlados pelo Navigator".

Rodeando o  palco há luzes de LED adicionais, montadas em dobradiças personalizadas que lhes permitem ser levantadas em vários momentos, trabalhando em conjunto com a coreografia de luzes voadoras logo acima. "Tait também criou um novo movimento de monitoramento paralelo de câmera e  que permite que a câmera acompanhe a banda ao longo da lateral do palco e obtenha fotos interessantes que normalmente não seriam possíveis", diz Lipson, que chama a visão global do diretor criativo Williams de "visionária" e realça os talentos de seus colegas criativos. "Ele reúne uma equipe tão grande em torno dele que permite a iluminação e o vídeo trabalhem juntos em simbiose", acrescenta Lipson. "Há grandes porções do show que não usam o vídeo e também partes do espetáculo que usam muito pouca quantidade de luz. Neste show, nenhum departamento domina o outro  e todo mundo trabalha em prol da visão coesa".

Lipson enfatizou o papel do diretor de vídeo Stefaan "Smasher" Desmedt, que dirige efeitos visuais e o I-Mag durante todo o show, como já fez em turnês anteriores do U2. "Usando d3 e outros softwares, como o Demolition, ele afeta a alimentação I-Mag ao vivo durante o show", diz Lipson. "Fazemos também um momento de vídeo onde um membro da plateia filma a banda no palco. Isso é feito com Meerkat".

Lipson conclui que, embora o processo de design tenha sido muito longo, o resultado final é um espetáculo que "explora uma viagem da banda da inocência para a experiência. Fazer um projeto tão ambicioso acontecer era o testamento de toda a equipe, liderada pelo [diretor de produção ] Jake Berry".

Fonte: Live Design

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